Reflexão: recomendações de exercícios

Em primeiro lugar quero já frustrar-vos as expectativas se, por ventura, poderão pensar que escrevo este artigo sobre “os melhores exercícios” ou quais as minhas recomendações de exercícios para o efeito X ou Y.

Ultimamente tenho tido alguns contactos de colegas e pessoas interessadas em saber mais sobre a minha metodologia e surgem algumas questões sobre exercícios.

Assim, escrevo este artigo no sentido de alertar para as recomendações de exercícios feitas quer por profissionais de exercício quer de reabilitação física.

É muito possível que haja alguém, algures que possa ficar zangado comigo por causa deste artigo :).

Quantas vezes abrimos o facebook e nos deparamos com uma quantidade enorme de posts sobre recomendações de exercícios quer de amigos, quer de Personal Trainers, quer de profissionais de reabilitação, para alcançar o resultado X ou Y ou para ajudar na reabilitação da patologia ortopédica X ou Y?

Surgem-nos conselhos de “os melhores exercícios” a realizar; o exercício tal que tem um efeito milagroso; a melhor rotina de exercícios para perder peso; a melhor rotina de exercícios para se manter activo (seja lá o que isso é); etc. São infindáveis o número de recomendações de exercícios!!!

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Ok, vamos parar um pouco e reflectir sobre o assunto.

Será ou não uma enorme responsabilidade aplicar força a um corpo humano? A mim parece-me que sim. Quem já leu alguns dos meus artigos sabe a importância que dou à relação entre o organismo humano com as forças envolvidas no nosso meio, ou seja, a biomecânica.

Neste sentido, se existe uma dose que pode comprometer a saúde articular de clientes e pacientes então como conseguimos medir essa dose se não sabemos para quem estamos a recomendar esses exercícios?

Na aplicação de força a um organismo biológico, existe como já referi noutro artigo (link) uma relação de risco e benefício. Assim, recomendar a uma pessoa sedentária (ou a qualquer pessoa) realizar a rotina X de exercícios em casa apenas com o peso do seu corpo com o objectivo de se tornar mais activa, sem sequer avaliar a capacidade de tolerância do seu Sistema Neuro-Músculo-Articular, parece-me irresponsável para não dizer negligente.

Vamos supor que uma pessoa sedentária vê alguns dos milhares de vídeos no facebook ou Youtube com as populares recomendações de rotinas de exercícios para fazer em casa que tantos profissionais de exercícios colocam e lesiona-se. De quem é a responsabilidade? Será da pessoa que os realizou? Ou será de quem recomendou uma rotina de exercícios completamente aleatória?

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Existem muitos profissionais que se designam de Personal Trainers, no entanto, as suas recomendações no youtube ou facebook são de exercícios e rotinas PRÉ-determinadas. Ora eu não vejo nada PERSONAL ou personalizado num exercício PRÉ-determinado. Um Personal Trainer não é um prescritor de exercício. Mas sim alguém que sabe avaliar e elaborar um conjunto de estratégias das quais os exercícios fazem parte de forma a responder a uma necessidade.

Se o exercício for Pré-determinado não é personalizado e construído de acordo com as especificidades articulares dos nossos clientes, tornando o Personal Trainer obsoleto. Para ser pré-determinado ou pré-escrito, basta fazer um download daquelas aplicações para telemóvel com exercícios ou consultar as rotinas de exercícios que se colocam no facebook ou youtube.

Vamos a outro exemplo. Quantas vezes consultamos profissionais de reabilitação física e depois de o diagnóstico estar realizado entregam-nos o protocolo de exercícios, que é igual para todos os pacientes, para reabilitar a articulação X ou Y. Se for uma lesão no ombro, saí o protocolo para ombro. Se for joelho, saí o protocolo para joelho. A grande falência desta prática prende-se no facto de estes protocolos muitas vezes serem os mesmos para patologias diferentes da mesma articulação. Outro aspecto é o facto de não existirem os melhores exercícios para reabilitar especificamente uma articulação. Cada pessoa é diferente, com características articulares diferentes. Assim, cada articulação tem que ser avaliada, cada músculo e divisão de músculo têm que ser testados, de modo a poder-se então construir o exercício de raiz baseado na avaliação específica. O recurso às Técnicas de Activação Muscular (link) adquire um papel relevante pois permite-nos ser minuciosos na avaliação do Sistema-Neuro-Músculo-Articular.

Num artigo anterior (link) poderão ler mais sobre as consequências que os protocolos estanques podem ter na saúde das nossas articulações.

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E claro. Faltava escrever um pouco sobre aquela que é a minha preferida que é a da recomendação do “melhor exercício”. Sabendo nós profissionais de exercício e reabilitação (ou deveríamos saber) que existem diferenças na anatomia articular e muscular de cada cliente e paciente, como é que é então possível definir o “melhor exercício”? Se o cliente tiver uma osteoartrose completa do joelho será que realizar um agachamento, que se diz por aí que é o melhor exercício para treinar “pernas”, trará algum benefício? Será que todos os seres humanos agacham da mesma forma (link) para se poder definir o agachamento como o melhor exercício para treinar “pernas” para todos, visto que se pensa afectar todos da mesma forma? E mesmo que fossemos todos iguais, não teríamos tolerâncias diferentes que requeriam algum tipo de avaliação?

Este lema do “Just do it”, tão publicitado por marcas e profissionais de exercício é no fundo um “Don’t think, don’t ask, just do it”! E obviamente quando fazemos algo sem perceber o “porquê” isso pode-nos trazer consequências.

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O problema cresce quando são os próprios profissionais a perpectuar esta mentalidade de que para iniciar a prática de exercício é fácil e que toda a gente com pouco conhecimento o consegue fazer por si próprio. Isto acaba por denegrir a imagem do PT ao passar a ideia para a população em geral de que se tratam de profissionais com pouco conhecimento e que basta ver um vídeo e aprender uns quantos “exercícios” para fazer o mesmo.

Depois junta-se a este problema os “gurus” do fitness cujas opiniões sobre os “exercícios a escolher” ou “os melhores exercícios” influenciam uma legião de seguidores.

Assim, devido a este universo de desinformação, outros profissionais (eu incluído), temos que fazer um trabalho educacional e pedagógico no sentido de quebrar os mitos que os nossos clientes adquirem.

Deixo então a seguinte questão: se não existe simplicidade nas várias ciências que estudam o corpo humano, como se pode pedir a alguém para realizar algo para o qual o seu corpo pode não estar preparado?

 

Antes de aplicar qualquer exercício a uma cliente ou paciente existem questões básicas que importam ser respondidas:

– Quem é o Cliente: uma senhora de 80 anos é diferente de um atleta de 25;

– Qual é o objectivo do exercício: poderá ser aumentar a produção de força dos retractores da omoplata por terem sido detectadas fraquezas nestes grupos musculares durante a avaliação.

– Quail o estado do seu Sistema Neuro-Músculo-Articular: amplitudes articulares activas e passivas; capacidade de produção de força em cada grau de movimento; capacidade de comunicação entre o Sistema Nervoso Central e os músculos, etc;

– Qual o seu controlo: capacidade de intencional e voluntariamente gerar produção de força necessária para controlar cada grau de movimento, numa resposta orquestrada pelo sistema nervoso central;

– Qual a sua tolerância: relacionada com uma patologia articular, metabólica, tolerância do sistema imunitário, estado do sistema nervoso simpático, etc.

 

Se me perguntarem o que tenho que saber antes de aplicar um “simples exercício” a resposta será:

– Anatomofisiologia geral;

– Fisiologia muscular;

– Fisiologia articular;

– Neurofisiologia;

– Biologia celular;

– Algum conhecimento específico de sistema endócrino e imunitário;

– Fisiopatologia (no caso de quem trabalha em reabilitação física);

– Etc.

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Se queremos melhorar a saúde e consequentemente a vida dos nossos pacientes e clientes temos que estudar estes temas (possivelmente serão matéria suficiente para nos ocupar o resto das nossas vidas) de forma a virarmos o foco para o interior.

Podemos então concluir que recomendar exercícios de forma arbitrária com uma mentalidade “Just do it” será positivo para a maior parte da população? A minha resposta já a conhecem.

Então qual a solução a adoptar como profissionais quando somos confrontados por cliente ou pacientes quando nos perguntam qual o ou quais os exercícios que podem ou não fazer? A minha resposta neste caso é simples, “não sei, não o avaliei”!!!

Boas leituras e até ao próximo artigo!

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Os 5 principais erros de reabilitação que…nos mantêm lesionados

Já vai longo o tempo em que continuamos lesionados e não conseguimos perceber porque é que aquela dor chata persiste e não vai embora.

Hmm… Se calhar vale a pena começar a questionar o que estamos a fazer para recuperar dessa mesma lesão. Será que a metodologia de reabilitação que nos “prescreveram” é adequada?

Vamos então conhecer os 5 principais erros mais comuns que a maioria das pessoas insiste em fazer e que…só os ajudam a manter-se no mesmo estado, ou seja, lesionados!

 

1. Alongamentos passivos

Quem já leu alguns dos meus artigos saberá o quanto desaconselho o uso desta prática!

Existem várias razões pelas quais os alongamentos passivos são desaconselhados e algumas já as enumerei nos seguintes artigos link e link.

Dores nos joelhos? Solução: esticar os isquiotibiais. Dores nas costas? Solução: esticar os isquiotibiais outra vez e mais umas quantas posições loucas de rotação da coluna para esticar não se sabe bem o quê. Dor no tendão de aquiles? Solução: esticar os gémeos.

Se por cada vez que alguém dissesse que para todos os problemas ortopédicos deveríamos esticar (não sei bem o quê) as articulações e eu ganhasse um euro, estaria numa situação financeira bem superior  🙂 

Hei-de escrever mais aprofundadamente sobre este tema, mas a verdade é que há muito pouca evidência de que “esticar” os músculos/articulações faz mais do que aumentar a amplitude articular. Aliás existe evidência suficiente a referir que o que está efectivamente a acontecer é um aumento da tolerância à dor do alongamento e não ganho de amplitude articular.

No fundo se continua a esticar e o problema não passa, talvez seja o momento de deixar essa prática de lado.

 

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2. “Auto-libertação miofascial” (O quê?!)

É isso mesmo. Deram um nome de marketing à acção de passar um rolo (qualquer dia tem o formato de um da massa) sobre o corpo ou vice-versa.

Analisemos o termo “Auto-libertação miofascial”. Auto – eu próprio. Libertação – vou-me livrar de. Miofascial – vou-me livrar da fáscia que envolve os meus músculos e o resto do corpo?!!

Eu penso que é tão ridículo que diz tudo. No entanto, para quem não sabe e tem dúvidas, eu esclareço. Não é um rolo que nos vai “libertar da nossa fáscia”. A única forma que neste momento estou a ver de nos livrarmos da nossa fáscia é com um BISTURI! No entanto, não me parece de bom senso querermo-nos “libertar da fáscia” visto que esta é um elemento muito importante do nosso corpo que vale a pena preservar.

Esta prática tornou-se na nova grande moda. Existem montes de cursos por todo o lado sobre esta moda que começou há mais de 15 anos.

Para que se saiba também tenho um rolo destes que comprei há quase…10 anos, quando ainda não havia esta moda em Portugal. E deixei de usar pouco depois , quando me dediquei a estudar devidamente alguns dos seus efeitos. Aliás, eu quando utilizava esta técnica era conhecido no meio como Pedro o Calceteiro do Fitness 🙂

O rolo que tenho felizmente, não é tão agressivo como os que vejo hoje em dia que são verdadeiros instrumentos de tortura. No entanto, o meu está guardado no baú das más recordações do fitness.

Ora sem precisar de recorrer à ciência temos…o bom senso. Se doí numa determinada parte do corpo será que infligir mais dor irá fazer essa dor passar?! Parece-me que não.

Como dizia o meu amigo Paul Argent sobre estes rolos “se temos uma dor de cabeça não vamos utilizar o berbequim no crânio para a fazer passar”. 

Deixo-vos o link para o artigo que ele escreveu sobre o uso destes rolos.  

Depois, sendo a fáscia um elemento tão complexo e que envolve e penetra o corpo de forma tão profunda como se pode dizer que usar o rolo vai trabalhar só a fáscia?! E todo o esmagamento que ocorre entre o rolo e o corpo como por exemplo da pele, gordura, veias, possivelmente artérias, compressão óssea, etc. Será isto saudável? Não, é moda!

Existe também a justificação do uso destes rolos para resolver o problema dos… “trigger points”. Mais um tema para explorar num próximo artigo. No entanto, embora hajam livros inteiros escritos sobre trigger points, a investigação não os encontra. 

Depois há a tentativa de esticar a banda iliotibial, que não é possivel ser esticada porque tem quase as propriedades de um cabo de aço!

O tema da fáscia é demasiado extenso e complexo para estar a disseminar neste artigo. No entanto, para trabalhar algo específico é necessário uma abordagem manual específica e com minucia e não um com um rolo que abalroa tudo indiscriminadamente por onde passa!

O trabalho fascial é muito complexo e como tal é necessário ser realizado por alguém que entenda a neurofisiologia e mecânica da fáscia. Por isso o meu conselho é deixemos o trabalho fascial para quem se dedica a esta temática.

 

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3. Os músculos vilões VS músculos heróis

Já alguma vez ouviram o vosso treinador ou terapeuta dizer que têm o músculo X encurtado e o Y alongado? Ou melhor, já ouviram dizer que os músculos vilões são o Psoas Ilíaco, o Piramidal ou o Tensor da Fáscia Lata? E que os músculos heróis são os Glúteos (todos), o Transverso Abdominal ou os Isquiotibiais?

Felizmente já não tenho que ouvir isto todos os dias.

Deixemos a ciência de lado e vamos mais uma vez ao bom senso. Ora se temos aproximadamente 650 músculos no nosso corpo, porque é que só estes é que são bons e outros os maus?! Não há mais músculos?

Será que continuar a alongar passivamente uns e contrair forçadamente outros trará resultados? A mim parece-me um tiro no escuro! Aliás, com a complexidade que temos dentro do nosso corpo, esta abordagem parece-me demasiado redutora.

E que tal avaliar cada peça e ver o que pode estar a acontecer em cada articulação ou em cada divisão de cada músculo? Será que cada músculo é capaz de comunicar eficientemente com o sistema nervoso e vice-versa? Será que tem tolerância a uma determinada força?

Cada corpo é um corpo e cada sistema nervoso responde de forma diferente. E nesse sentido temos que ser mais precisos/analíticos na nossa análise do problema.

 

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4. “Exercícios de reabilitação”

Existe esta crença que existem exercícios de reabilitação e exercícios de treino. A verdade é que não passa de uma crença. O que de facto existe é a necessidade do cliente/paciente. Embora na reabilitação física se utilizem mais os elásticos, bolas e superfícies instáveis isso não faz com que estes exercícios sejam de reabilitação e/ou mais específicos para as necessidades articulares dos pacientes.

Os elásticos, utilizados de determinadas formas, acabam por colocar uma carga excessiva sobre a articulação dada as suas propriedades mecânicas, tornando-os assim desadequados.

O mesmo acontece com as bolas e superfícies instáveis. Não é por adicionar mais instabilidade que se vai tornar uma articulação mais estável. Primeiro domina-se o estável e depois avança-se para a instabilidade. Mas mesmo assim tem que ser de forma criteriosa. Desta forma o recurso às Técnicas de Activação Muscular configura um excelente método para avaliar se a orquestração por parte do sistema nervoso ao sistema muscular consegue ser sólida o suficiente para tolerar a instabilidade imposta por estas superfícies.

Só um aparte reparem na imagem do canto superior direito abaixo, é a minha favorita. O senhor não tem a capacidade de se manter em pé? Não faz mal! Suspendêmo-lo com uma espécie de grua para o colocar a fazer malabarismo num skate!

Outro aspecto importante é a manipulação de forças para fazer face ao problema. Ou seja, a construção do exercício para a necessidade da articulação afectada. E isso só se consegue com conhecimento em biomecânica.

 

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5. Exercícios multi-articulares

Ok, até aqui estivemos a esticar músculos e articulações, esmagá-los com um rolo e demos-lhe mais instabilidade com uma superfície instável, o que se segue então (tratamos bem o nosso corpo 🙂 )? Tornar os músculos mais fortes!

E como se faz isso? Com exercícios de “força” multi-articulares. Certo? Erradíssimo!

Em casos específicos, temos que ser específicos. Não são soluções globais e/ou gerais que vão resolver o problema. Não é por me doer as costas que a solução é ir fazer natação como ouço tantas vezes!!

Todas as peças do puzzle têm que ser analisadas. O exercício global só vai reforçar a compensação. A debilidade não passa como que por magia. É necessário identificá-la e devolver capacidade contráctil aos músculos que estão fracos.

Por outro lado o que vos parece que é mais fácil para o sistema nervoso, focar numa articulação ou em várias ao mesmo tempo? É isso mesmo. 

Como já referi num artigo anterior, não são os exercícios que são funcionais, são as articulações. Nós apenas temos que desenvolver os exercícios (depois de devida avaliação articular) que respeitem e potenciem o funcionamento da articulação envolvida.

 

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No próximo artigo irei apresentar algumas soluções práticas que podem ser introduzidas no treino de forma a prevenir lesões e que também podem contribuir para ajudar na reabilitação de lesões articulares.

 

Boas leituras!

 

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Referências:

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Magnusson SP, Simonsen EB. A mechanism for altered flexibility in human skeletal muscle. Journal of Physiology.1996; 497(1): 291-298 .

Halbertsma J, Goeken L. Stretching Exercises: Effect on passive extensibility and stiffness in short hamstrings of healthy subjects. Arch Phys Med Rehabil. 1994; 75.

Aquino C, Fonseca T. et al. Stretching versus strength training in lengthened position in subjects with tight hamstring muscles: A randomized controlled trial. Manual Therapy. 2010; 15: 26–31.

Falvey EC, Clark RA. et al. Iliotibial band syndrome: an examination of the evidence behind a number of treatment options. Scand J Med Sci Sports. 2010; 20(4):580-7.

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Biomecânica: parte 1. A ciência incompreendida

Como sabemos a indústria do Fitness possivelmente mais do que nenhuma outra é extremamente permeável a modas e “tendências” que se alastram também para o campo da reabilitação. No ano tal é a moda disto, no ano seguinte é a moda daquilo. E depois existem as modas que começam e tendem a ficar. Este ano estou para ver o que é que vai aparecer!

Ora lamento informar mas, moda não é…ciência! Tendências não constituem… ciência! Se estas influenciam a forma como se conduz alguma investigação? Isso é outra estória. Que tem uma parte positiva quando se tenta investigar de forma fiável, não enviesada se uma teoria corresponde à verdade. E a parte negativa verifica-se quando existe enviesamento para tentar apoiar uma determinada teoria que pode não ter suporte científico.

Esta última é a mais perigosa pois vai, com uma certeza muito grande, influenciar a prática de milhares de profissionais que não questionam essa investigação. E mesmo mais tarde quando se realizam estudos de revisão cujos resultados apontam para conclusões pobres, especulativas e metodologias de baixa qualidade, os danos já estão causados.

 

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Se reflectirmos um pouco sobre a variável que é transversal a todas (mesmo todas sem excepção) as modalidades de fitness e reabilitação? Aplicação de Força! Não acreditam? Dou-vos vários exemplos:

– Resistência Manual

– Resistência do peso do corpo (também designado de calisténico)

– Resistência dos elásticos

– Resistência provocada por máquinas de “musculação”

– Resistência dos pesos

– Manutenção do Equilíbrio (não postura, não é a mesma coisa!)

– Resistência de molas (muito comum no Pilates)

– Resistência da água

– Exercício “cardio-vascular” (Sim o “cardio” é um exercício de força)

– Massagem (seja ela qual for é uma força aplicada ao corpo)

– Manipulação articular

– Ondas de choque

– Ultrassom

– Etc.

 

Em que modalidades estão representadas estas diferentes formas de resistência? Em todas! Ioga, Pilates, Personal Training, aulas de grupos, corrida, andar de bicicleta, qualquer modalidade terapêutica, etc.

 

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Por que é que a força é tão importante então?

A resposta mais simples? Porque sem ela não existiríamos!

Foi através da força que ocorreu o nosso desenvolvimento como espécie.

Toda a nossa tecnologia biológica foi desenvolvida para funcionar com uma força que nos puxa para o centro do nosso planeta.

Quando os astronautas permanecem demasiado tempo no espaço, os seus corpos sofrem várias consequências devido ao efeito da microgravidade. As mais frequentes são a perda de massa muscular e óssea com concomitante perda de capacidade contráctil muscular (que obviamente reduz a capacidade dos músculos produzirem força) e o desenvolvimento de problemas cardíacos devido a uma alteração na forma do coração.

Para lidar com a gravidade, o nosso corpo está munido de mecanismos que permitem que o sangue circule em sentido oposto ao da gravidade, denominados de mecanismos de retorno venoso. Se a gravidade deixa de exercer a sua força certamente o sistema circulatório irá ressentir-se dessa alteração de ambiente. 

 

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No que diz respeito ao exercício físico, a força é utilizada para conseguirmos atingir os nossos resultados, sejam eles quais forem! Perda de massa gorda, aumento de massa muscular, ganhos de amplitude articular, melhoria da função cardio-respiratória, etc.

Na reabilitação, a força é utilizada em qualquer processo terapêutico com a finalidade de melhorar a funcionalidade da articulação afectada bem como os tecidos que a envolvem.

No desporto, é a preparação física através da força que se consegue melhorar o desempenho desportivo.

Ok! Qual o propósito disto? Perguntam vocês.

Força é um agente de mudança como podemos verificar nos exemplos que referi anteriormente.

Sem força nós não existiríamos. Sem força não existiria anatomia nem fisiologia. Aliás a anatomia e a fisiologia são um produto da força como agente de desenvolvimento e mudança que é.

Então porque raio é que no fitness e na reabilitação, mas principalmente no fitness, o estudo da força (biomecânica) não é uma prioridade na formação destes profissionais??!!

 

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Existem várias razões mas a principal, como eu já ouvi muitas vezes é porque é difícil e não tem aplicabilidade prática. Ah sim? E o estudo da química é fácil? A anatomia é fácil? A fisiologia é fácil? Mas temos que saber! Pelo menos aquela que é fundamental para exercer a profissão.

Nas faculdades a biomecânica é-nos ensinada de uma forma muito pouco prática! Levando os profissionais a não darem continuidade ao estuda desta temática.

Depois há o mito de que estudar biomecânica só serve para efeitos de reabilitação. Nada poderia estar mais longe da verdade. É tão importante na reabilitação física como o é no personal training. Na segunda parte deste artigo irei explicar como esta ciência ajuda a tornar o Personal Training e a reabilitação verdadeiramente personalizados.

Na grande maioria dos cursos profissionais a formação em biomecânica é quase inexistente. Outras vezes leciona-se biomecânica confundindo-a com o estudo de outras matérias como é o caso da cinemática. Em Portugal a EXS é a única escola de formação focada em dotar os seus formandos de conhecimentos em biomecânica.

Mas afinal o que estuda a biomecânica? A definição clássica de Biomecânica é a de ser a ciência que estuda a estrutura e a função de sistemas biológicos como os seres humanos, animais, plantas, órgãos e células através da metodologia da mecânica.

Nas áreas especificas do fitness e reabilitação física emerge, assim uma nova área que é um sub-ramo da biomecânica, designada de Mecânica do Exercício. Esta permite estudar de forma mais prática e específica as matérias que interessam saber da biomecânica.

E para se estudar Mecânica do Exercício é preciso ter um domínio mínimo de 3 áreas fundamentais: anatomia, fisiologia e neurofisiologia.

Porquê? Porque quando aplicamos uma força a um corpo ocorrem respostas químicas, eléctricas, endócrinas e mecânicas. E temos que saber quais são!

 

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Trata-se de um processo de estudo para a vida!

Eu diria que a biomecânica é a área de estudo mais incompreendida. Eu sei, pareceu um bocado melodramático :-).

Tomemos como exemplo a classe médica. O nível de estudo e dedicação que estes profissionais têm que ter para exercer a sua profissão é enorme. Só desta forma é que estes profissionais conquistaram o respeito e reconhecimento de toda a sociedade.

Ora acham que os profissionais de fitness e de reabilitação física não têm grandes responsabilidades quando aplicam força a um corpo sabendo as consequências que estas podem gerar? Se queremos ter o respeito que outras classes profissionais e da própria sociedade, temos que nos dedicar da mesma forma ao estudo das matérias fundamentais para elevar o nível e reconhecimento desta profissão.

É neste sentido que vos deixo o conselho para escolherem profissionais que estudam biomecânica. Terão assim, uma garantia de que essa pessoa dedicará o seu tempo a procurar a melhor solução para as suas articulações.

 

Bons treinos e boas leituras!

 

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Referências:

May, C. et al. Affect of Microgravity on Cardiac Shape: Comparison of Pre- and In-flight Data to Mathematical Modeling. J Am Coll Cardiol. 2014;63 (12)

Williams, D. et al. Acclimation during space flight: effects on human physiology. CMAJ. 2009; 180(13): 1317–1323.

Alexander, R. Mechanics of animal movement. Current Biology. 2005; 15(16).

Hatze, H. The meaning of the term ‘biomechanics’. Journal Of Biomechanics. 1974; 7(2): 189-190.