Biomecânica: parte 2. A ciência ao serviço do corpo

Quando se aplica força a um corpo existem duas variáveis que vão sempre de mão dada: o risco e o benefício.

Ora se o risco existe e é real, não vale a pena tentarmos saber um pouco mais como o reduzir?

Por isso, para se estar do lado do benefício é preciso estudar…biomecânica!

Porquê? Para se saber o que se faz! Como? Tendo domínio das ciências que servem de pré-requisito ao estudo da biomecânica e com o desenvolvimento do estudo da mesma, como profissionais, dotamo-nos de uma visão raio-X!

Esta ferramenta é fundamental para que tanto os profissionais de fitness e de reabilitação virem o seu foco para a performance interna.

Performance interna é o foco no interior, foca nas articulações, nos músculos, privilegiando o sistema nervoso como centro de controlo de todo este processo.

A grande maioria das modalidades de fitness tem o seu foco na performance externa. Associado a este facto está também aquilo a que designo de mitologia do fitness que se tornou quase uma ciência paralela, mas que atrai muitos mais profissionais do que a verdadeira ciência!

Ora tomemos como exemplo uma das afirmações mais falaciosas que minam esta profissão: “não devemos treinar músculos, mas sim os movimentos”! Quando ouço isto até deito fumo das orelhas  :-).

Ora o que é que move as nossas articulações?! Hmm? Que eu saiba são os músculos! Se, por acaso melhorarmos a função de um músculo não conseguiremos desempenhar melhor um determinado movimento? Não passaríamos assim, a realizar esse mesmo movimento estando mais do lado do benefício do que do risco?

 

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Os movimentos externos em si não são funcionais. Não podemos sequer classificar exercícios como funcionais pois podem não se adequar a todos os corpos/articulações. Se o exercício é pré-determinado sem que haja uma avaliação de como funciona cada articulação envolvida no mesmo, este não é funcional! O movimento articular esse sim é funcional! Para tal é necessário garantir que todos os músculos que o efectuam estão de facto a exercer a sua função de controlar o movimento articular. Mas para isso tem que se saber o seu eixo, o que são roldanas anatómicas, braços de momento, etc. E isso só se sabe como? Estudando mecânica do exercício.

 

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Nesta imagem podemos ver 3 cenários. No primeiro cenário não sabemos em que sentido a senhora vai mover o braço, se em flexão ou extensão, porque não sabemos a direcção, magnitude e ponto de aplicação da força que lhe vai mover o braço. No segundo cenário sabemos que existe uma força a puxar o braço em extensão e por isso agora sabemos qual vai ser a solicitação interna para esta posição, ou seja serão os músculos que nesta posição resistem à extensão (grande peitoral, deltoide anterior, coraco-braquial, etc). E reparem que não escrevi os flexores do ombro pois podem variam de acordo com vários factores como poderão ver mais abaixo. No terceiro cenário, verifica-se uma força a puxar o braço em flexão e portanto, serão os extensores do ombro nesta posição a resistir (grande dorsal, deltoide posterior, grande redondo, etc). 

Isto tudo para perceberem que os movimentos em si não nos dizem nada é necessário ter mais dados (e neste exemplo temos apenas o de uma força, mas existem mais a saber) para saber qual a solicitação interna.

Portanto, focar apenas no movimento é performance externa!

Conseguem perceber agora a diferença entre foco na performance interna vs performance externa? Melhorando a performance interna estamos a criar uma fundação muito sólida para conseguirmos posteriormente melhorar a performance externa.

Como profissionais temos mesmo que nos focar cada vez mais no interior. Não podemos ignorar o facto de o número de lesões decorrentes da prática de exercício físico ter atingido patamares epidemiológicos.

 

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Deixo-vos um exemplo de como o foco no interior pode modificar completamente um exercício para o tornarmos adequado ao objectivo que temos para o mesmo. Deixo-vos também com uma amostra do que é ter visão raio-x para percebermos o que acontece exteriormente mas não se vê a olho nu. E lá porque não se vê…não quer dizer que não exista!

Neste exemplo das “flexões de braços”, podemos ainda notar como a manipulação das forças internas pode modificar as forças externas.

 

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Vou tentar simplificar ao máximo, não querendo debruçar-me sobre o efeito provocado pelo atrito nem o que são eixos e braços de momento, etc. Nesta imagem podemos ver como este exercício difere de uma flexão normal. O que acontece de diferente é que se aplicarmos força para baixo e para dentro criamos uma resultante de forças que passa fora do cotovelo e fora do ombro. No entanto a distância dessa força ao eixo do ombro é maior que ao do cotovelo tanto no topo como em baixo. Em baixo a distância da força ao eixo do cotovelo é mínima. Mas o que significa isto? Significa que resultará numa maior solicitação do grande peitoral (mais na fibras esternais e claviculares), deltóide anterior e também uma participação grande do…bicípete braquial! O quê? Como é que isso é possível? Mas não é o tricípite que extende o cotovelo? Pois é, quando associamos apenas músculos a funções é o que acontece.

Os músculos variam a sua função de acordo com a solicitação que lhes é imposta pelas forças. E neste exemplo é o bicípite braquial que realiza a extensão do cotovelo. Temos que pensar em forças (e outros elementos) para podermos deduzir qual a solicitação interna.

 

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Nestas “flexões de braços” a intenção do empurrar é para baixo e para fora o que muda a direcção da resultante de forças fazendo com que esta passe agora muito próxima tanto do eixo do ombro como do eixo do cotovelo do lado de dentro. Em baixo a resultante chega a passar mesmo pelo eixo do ombro que faz com que os músculos dessa articulação tenha uma menor solicitação e seja, neste caso, o tricípite braquial a assumir maior preponderância na extensão do cotovelo. Em cima dado que há uma pequena distância dessa linha de força ao ombro, mas do lado de dentro, o músculo no ombro com maior preponderância será o…deltóide posterior!

Podem ver mais exemplos como este na minha página do facebook no seguinte link.

Será que estas mudanças podem fazer a diferença para quem tem patologias ortopédicas no ombro e cotovelo? Bastante mesmo. Ao induzirmos estas alterações nas forças internas pode ser o suficiente entre realizar este exercício com ou sem dores. Quero sublinhar que estas modificações devem ser introduzidas de forma estratégica e não arbitrária de forma a poderem contribuir para uma melhoria das articulações envolvidas.

Surpreendente? Imaginem o que se pode manipular com este conhecimento de forma a fazer face às especificidades de cada cliente/paciente, o que se pode fazer em cada articulação, os músculos que se podem solicitar, etc.

Mas o que se diz é que o conhecimento em biomecânica/mecânica do exercício não tem aplicação prática não é? O exemplo anterior é uma prova de que isso não é verdade.

Um dos pontos fortes a favor da Mecânica do Exercício é o facto de se basear numa ciência exacta, que nos permite calcular e obter dados precisos do que está efectivamente a acontecer nas nossas articulações. Ou seja, é muito difícil de contra argumentar. Podem vir com a teoria X ou Y ou com o que o guru Master Jedi Fitness (pensando melhor talvez seja mais Fitness Sith Lord) disse que isso pode ser facilmente desacreditado com o recurso à Mecânica do Exercício :).

Tomemos outro exemplo, este no âmbito da reabilitação. O que se pode fazer para fazer face a uma patologia degenerativa como por exemplo uma osteoartrose do joelho? Manipulando as forças internas e externas podemos melhorar a função dessa articulação ajudando a diminuir os efeitos causados por esta patologia. Podemos ainda conseguir que o cliente realize um movimento articular que não seria capaz de realizar anteriormente pois fomos capazes de manipular as forças externas de modo a reduzir o efeito das forças internas sobre o local de maior desgaste na cartilagem e osso.

 

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Outro aspecto fundamental é que com este conhecimento munimo-nos com a capacidade de sermos nós a criar/desenvolver os exercícios de acordo com o funcionamento das articulações dos nossos clientes e não em ir buscar algo pré-determinado ou uma sequência de exercícios coreografada.

Mas como podemos avaliar a mecânica de cada articulação e o controlo exercido pelos músculos que a rodeiam? As Técnicas de Activação Muscular juntam o conhecimento em biomecânica com uma metodologia específica para testar a capacidade dos músculos comunicarem com o sistema nervoso central. Deixo-vos o link para o artigo que escrevi sobre esta técnica.

Neste sentido deixo-vos um conselho, se algum profissional de fitness ou saúde olhar para vocês, sem sequer vos avaliar, e disser “o que você tem é X”, fujam! Porque essa pessoa não tem noção do que está a dizer. Em certos casos, e haverá muitos, em que temos que ser humildes e simplesmente dizer “não sei”. Mas sem estar munido de uma metodologia de avaliação…não se pode avaliar ninguém e chegar a quaisquer conclusões sobre o que o cliente/paciente tem ou não. A visão não é de todo o nosso melhor método de avaliação articular. Aliás como ficou demonstrado no exemplo das flexões de braços. O que não se vê, não que dizer que não exista. 

Estudar mecânica do exercício é tornar os exercícios adequados a cada articulação, às necessidades de cada cliente/paciente. É tornar o Personal Training verdadeiramente personalizado. É visualizar o que realmente acontece dentro da articulação a cada momento, a cada grau de movimento quando realizamos cada exercício.

 

Bons treinos e boas leituras!

 

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Referências:

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Jones, C. et al. Weight Training Injury Trends. The Physician and Sportsmedicine. 2000. 28:7, 61-72

Lesão articular, debilidade muscular e o imbróglio neurológico. Um novo paradigma na reabilitação física.

Eu sabia que algum dia o meu lado mais “nerd” haveria de surgir nas minhas publicações. Por isso, espero que se mantenham comigo e não se aborreçam. Neste artigo abordo o condicionamento do sistema nervoso na presença de lesão articular e a forma como este poderá ficar afectado no desencadeamento da contracção muscular.

No meu primeiro artigo sublinhei a importância do foco na contracção muscular em contextos que vão desde a reabilitação física, personal training até à preparação no treino desportivo.

Se analisarmos bem o funcionamento do músculo-esquelético percebemos que este está concebido para desempenhar uma função principal que é a de contrair. Todos outros aspectos que advêm da contracção muscular são secundários a esta.

Embora haja muita gente que, infelizmente, “acredita” (lá está) que a função do músculo é “alongar”. Num artigo que dedicarei exclusivamente aos “alongamentos”, abordarei mais aprofundadamente a fisiologia do músculo-esquelético e ficará claro que este não tem a capacidade de alongar, mais sim de estender (não é o mesmo que esticar) até um limite máximo.

Assim, já que sabemos qual a principal função do músculo, falta saber como este contrai. Tal acontece através de um processo complexo denominado de encurtando devido ao deslizamento de proteínas musculares umas sobre as outras. E para que finalidade? Para gerar tensão/produção de força para controlar o movimento das nossas articulações, que pode ser desde estabilizar (manter estática) uma dada articulação quando outra está a ser movida até gerar mais tensão para produzir força de forma a acelerar o movimento da articulação para superar a força de uma carga externa.

A grande questão que importa responder é “porque não conseguimos, em certas circunstâncias, que os músculos contraiam?”

 

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Para responder a esta questão vou tentar explicar o que poderá estar por detrás da debilidade/fraqueza muscular.

Em primeiro lugar, importa clarificar que a debilidade muscular é um processo complexo que pode gerar instabilidade articular e consequentemente levar ao desenvolvimento de uma lesão. Caracteriza-se por uma diminuição na força muscular que compromete a sua capacidade em gerar tensão suficiente para realizar determinada acção ou movimento.

 

Factores mecânicos têm sido apontados como possíveis causas da debilidade muscular.

Híper laxidão articular: uma condição na qual se verifica um aumento da amplitude articular devido a uma extensibilidade acima do “normal” da proteína de colagénio. Embora, esta condição seja definida com esta terminologia na literatura científica, é importante clarificar que nem todas as pessoas que têm uma grande mobilidade sofrem de híper laxidão articular. Existem pessoas que simplesmente têm mais mobilidade articular dada a configuração dos seus ossos ao nível das superfícies articulares. Por alguma razão, não podemos ser todos bailarinos, ginastas ou artistas de circo.

Actividades do quotidiano que coloquem as articulações sob permanente carga. A própria obesidade encaixa nesta categoria, pois embora não seja uma actividade, contribui de forma constante e permanente para que as articulações tenham que suportar uma carga elevada, o que por sua vez leva ao desgaste articular. Este desgaste articular com o tempo pode converter-se em osteoartrose, sendo as articulações normalmente mais afectadas os joelhos e as ancas.

Para além da carga a que as nossas articulações estão sujeitas durante o dia a dia, temos que contar com as cargas adicionais a que estamos sujeitos durante a prática de exercício físico seja em que contexto for.

Uma nota importante a reter. Todo, e repito, todo o exercício físico acarreta risco e benefício. E nesse sentido cabe ao profissional quer de exercício quer de reabilitação fazer uma completa e permanente avaliação do cliente/paciente de forma a poder ajustar estas duas variáveis. De preferência que seja sempre para o lado do benefício.

O aspecto que tem sido talvez mais ignorado na reabilitação tradicional é o das alterações da comunicação entre o músculo e o sistema nervoso central. Todos os factores apontados até agora estão relacionados e é quase impossível saber qual começou o processo de enfraquecimento do músculo. Ou seja, por exemplo exemplo, se foi um desgaste articular por carga repetida sobre a articulação ou se foi uma alteração sensorial na comunicação entre o sistema nervoso central que iniciou o processo de desgaste articular por não haver controlo suficiente por sobre a musculatura que movimenta essa articulação.

A um processo em que se verifica uma redução da transmissão de informação por parte dos receptores sensoriais ao sistema nervoso central dá-se o nome de desaferenciação.

No que respeita às articulações essa desaferenciação podes ser designada de inibição muscular artrogénica, e caracteriza-se pela incapacidade dos receptores espalhados pelos músculos, tendões, ligamentos, cápsula articular e inclusivamente da pele de transmitirem a sua informação sensorial ao sistema nervoso central.

Imaginem que vão a conduzir o vosso carro para uma localidade que não conhecem e para isso recorrem ao gps. A meio do caminho o gps deixa de funcionar e vocês ficam sem saber para onde ir. Ora nas articulações passa-se o mesmo. Ou seja, sem sistema de orientação o seu funcionamento não vai decorrer de forma normal.

 

De forma muito sintética o sistema nervoso funciona da seguinte maneira (ver imagem abaixo):

  1. Recolha de informação sensorial por parte dos diferentes tipos de receptores espalhados pelo corpo e envio dessa informação às áreas corticais e subcorticais através de neurónios sensitivos para ser processada. Esta via é designada via aferente.
  2. Processamento e desencadeamento de uma resposta no Sistema Nervoso Central, que pode ser realizado nos andares Superior, Médio, Inferior ou em vários andares ao mesmo tempo.
  3. Envio da resposta através de neurónios motores ao órgão efector, que neste caso é o músculo.

 

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Ora se o sistema nervoso tem esta dinâmica de funcionamento, significa que se alguma das partes for afectada, todo o sistema será afectado.

Assim, quando ocorre dano em qualquer estrutura articular (ligamentos, tendões e cápsula entre outras) que pode decorrer de desgaste articular prolongado, um episódio único em que a articulação é incapaz de lidar com uma carga excessiva, ou mesmo uma lesão de contacto, essa lesão também afecta os milhares de receptores contidos nessas estruturas.

E o que é que isto provoca? A tal inibição muscular artrogéncia, ou seja, a incapacidade dos receptores enviarem informação ao sistema nervoso central.

E como é que isto afecta a contracção muscular voluntária? Como referi anteriormente, se uma parte do sistema é afectada as outras também o são. Desta forma, ao haver uma diminuição da informação sensorial enviada pelos receptores o sistema nervoso central, este também não consegue realizar um óptimo processamento e orquestração de resposta, afectando assim a via descendente, ou seja a de activação do músculo.

 

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Nesta imagem podemos ver vários exemplos de receptores, localizados em diferentes partes do corpo, e os percursos que os seus neurónios sensitivos têm que fazer de forma a informar o sistema nervoso central. No fundo, como a periferia comunica com o centro de comando.

 

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Nesta imagem podemos ver os trajectos distintos (existem outros) que o sistema nervoso central tem para comunicar com os músculos. Desta forma, podemos verificar como a resposta processada nos vários andares do sistema nervoso central afecta a contracção muscular.

 

Uma das grandes consequências desta “falha” do sistema causada pela lesão articular, apontada por estudos recentes, é o facto de levar a uma reorganização do sistema nervoso central a nível cortical (andar superior) e espinal (andar inferior), nomeadamente ao nível do córtex motor contribuindo para uma permanente inibição da musculatura que rodeia a articulação afectada. Um caso em que esta situação se verifica é quando alguém sofre uma lesão no ligamento cruzado anterior. Durante o processo de reabilitação, dada a incapacidade dos receptores do LCA transmitirem informação ao sistema nervoso central, este tem uma dificuldade enorme em conseguir fazer contrair o quadricípite. E se o músculo não contrair adequadamente também não consegue posteriormente desenvolver massa muscular.

Outro aspecto que também perpectua a incapacidade dos receptores musculares e articulares transmitirem informação ao sistema nervoso é a ocorrência de um processo inflamatório na articulação.

 

Picture4.pngEsta imagem exemplifica como um dano ao nível dos receptores articulares do complexo do ombro, em particular do tendão do músculo supra-espinhoso, dificultam a resposta por parte do sistema nervoso central. Esta situação deve-se não só à inflamação causada pelo dano das estruturas articulares, mas também pela incapacidade dos receptores transmitirem a sua informação sensitiva para processamento superior o que afecta a activação dos neurónios motores (alfa e gama) cuja função é a de promover a contracção das fibras musculares que inervam.

 

Assim, a investigação alerta para que as lesões articulares não sejam apenas vistas como algo local mas como uma disfunção que afecta também o sistema nervoso central. Portanto algo mais abrangente que afecta vários sistemas. Nesse sentido é necessário estar munido de técnicas que possam de facto não só afectar a aceleração da regeneração dos tecidos lesionados, mas também que possam influenciar o sistema nervoso central.

Tendo em conta esta realidade, torna-se cada vez mais imperativo, por parte do profissional de exercício e de reabilitação, o estudo do sistema nervoso e como este pode ser alterado com a presença de uma lesão articular.

Uma excelente forma de conseguir afectar o sistema nervoso, melhorando a transmissão de informação por parte dos receptores articulares de forma a promover uma melhor contracção muscular (via eferente) é através das técnicas de activação muscular.

O objectivo do processo de activação muscular é o de melhorar a comunicação entre o sistema nervoso central e os músculos. Este trabalho permite fazer uso da plasticidade do sistema nervoso (capacidade de adaptação do sistema nervoso) ao favorecer novos caminhos neurológicos, novas sinapses. Ou seja, quando existe debilidade muscular e consequentemente dificuldade em contrair, as técnicas de activação muscular ajudam a encontrar alternativas às vias de comunicação que eram normalmente utilizadas pelo sistema nervoso, favorecendo assim a contracção. Estas procuram afectar o sistema nervoso quer ao nível dos receptores, de forma a melhorar o envio da informação sensitiva às áreas de processamento, quer ao nível da resposta por parte do sistema nervoso central no sentido de optimizar o processo de contracção muscular.

Deixo-vos o link para o artigo que escrevi sobre esta técnica para os que quiserem saber mais sobre a mesma.

Para finalizar, deixo-vos a seguinte nota. Os músculos são os nossos motores, e sabendo como funcionam (desde o seu controlo por parte do sistema nervoso até à sua fisiologia local) sabemos tirar rendimento deles, tornando-nos mais fortes para atingirmos os nossos objectivos de treino ou para acelerarmos o processo de reabilitação.

  

Boas leituras e até ao próximo artigo!

 

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Referências

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As principais razões pelas quais nos lesionamos: Parte 2

Na primeira parte deste artigo abordamos os seguintes temas como potenciais causadores de lesões articulares:

1. Não ouvir o que o nosso corpo nos diz

2. Má preparação para a prática de exercício físico

3. Alongar frequentemente os músculos

4. Fazer demasiado “cardio”

 

Assim, para finalizar o artigo:

5. Treinos baseados em protocolos estanques

Imaginem que um dia acordam e decidem que querem começar a fazer exercício físico para perder peso e para se sentirem mais saudáveis (podia ser outro objectivo). Vão à internet e descobrem um programa de treino miraculoso do guru “X” ou na revista “Y”.

Sendo o programa bastante agressivo (como são a maioria dos programas pré-definidos para este efeito), ao fim de 5 treinos lesionamo-nos.

O que é que isto no diz? Que treinar com programas massificados, do tipo “chapa 5” para toda gente é uma péssima opção. Mas porquê? Por não terem em conta centenas de aspectos que têm que ser seriamente considerados quando iniciamos a prática de exercício físico tais como: tolerância das articulações para o tipos de carga imposta pelo exercício, capacidade dos músculos tolerarem essa carga, capacidade dos músculos contraírem adequadamente durante toda a amplitude articular, tolerância do próprio corpo do ponto de vista metabólico e endócrino ao esforço imposto, capacidade de executar os exercícios adequadamente, patologias existentes, entre muitos e muitos outros aspectos.

Resumindo, planos de treino pré-definidos não consideram a individualidade de cada pessoa e como tal podem ser potencialmente lesivos para a saúde das nossas articulações.

 

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6. Utilizar sempre a mesma rotina de treino

Este é um aspecto que eu que acontece com muita frequência nos ginásios. Por algum motivo algumas pessoas acham que conhecem o seu corpo melhor que ninguém e nem mesmo os profissionais que estudam esta área o sabem melhor que elas. E assim, desenvolveram o seu próprio plano de treino mágico que lhes trará todos os resultados possíveis e imaginários 🙂

Acontece que realizam esse plano de treino há muitos anos sem que hajam quaisquer mudanças, e isto, lá está, por causa de uma crença sem fundamento.

A maioria das pessoas que eu conheço que realizam os seus próprios programas de exercícios há muitos anos, sem realizarem qualquer variação na sua rotina, ou estão lesionados ou queixam-se de algum tipo de dor articular.

Porque motivo isto acontece então? Por uma razão muito simples. Por desrespeito por um dos princípios de treino que é o da variabilidade.

Mas porque é então importante variar a rotina de treino? Em primeiro lugar penso que devemos procurar alguém qualificado para nos ajudar com o processo de treino.

No que diz respeito a variar a rotina de treino, é algo fundamental durante um planeamento de treino de forma a distribuir as cargas (forças) ao redor das articulações. Se, ao longo de anos exercermos a mesma carga de forma contínua sobre as mesmas estruturas qual acham que poderá ser o resultado? Ao variarmos os exercícios, modificamos o stress e a zona onde ele é aplicado, dando continuidade à progressão de forma a atingirmos os nossos resultados e evitando potenciais danos articulares. No entanto, todas estas alterações têm que ser estrategicamente administradas e por isso volto a sublinhar a importância de consultar um profissional qualificado.

Por outro lado excesso de variação durante o processo de treino pode também ser contraproducente na medida em que a homeostasia é frequentemente desafiada, não permitindo às nossas articulações terem tempo suficiente para ser adaptarem aos estímulos que lhes são impostos.

 

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7. Acreditar em crenças sem fundamento científico

Na primeira parte deste artigo, no ponto 1 já escrevi um pouco sobre a crença de que treinar com dor é positivo. Mas essa não é a única. Existem muitíssimas mais! E por vezes essas crenças são perpetuadas pelos próprios profissionais quer de exercício quer de reabilitação.

Uma das crenças mais graves é o assumir que todas as pessoas se movimentam da mesma forma. Ou seja, que a formato de cada articulação é igual para todos os seres humanos. E isso não é verdade de todo!

Já ouviram esta? “Toda a gente consegue, com muito treino, fazer a espargata”! BAAMMM!!! Aquele som dos concursos de televisão quando alguém erra uma resposta 🙂

Ou esta. “Toda gente deve ser capaz de fazer um agachamento profundo até as coxas tocarem nos gémeos”!! BAAMMM!!!

As articulações simplesmente não são iguais porque existem diferenças nas superfícies articulares (pude constatar isso em aulas de anatomia cadavérica), ditando assim, a quantidade de amplitude que cada articulação tem para se mover.

 

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8. Não progredir adequadamente

A progressão é um aspecto fundamental para a prevenção de lesões. No ponto 6, pudemos constatar como realizar sempre a mesma rotina de exercício, exercendo o mesmo stress sobre as mesmas estruturas pode ser nefasto para as nossas articulações. Não obstante, progredir de forma desadequada também o é.

Queiram considerar o seguinte exemplo. Imaginem que estão a fazer um determinado programa de exercício no vosso ginásio e decidem ir começar a fazer uma aula de grupo de SUPER HYPER MEGA POWER REBENTA CONTIGO! (fui eu que inventei este nome 🙂 No dia a seguir estão de cama e não se mexem. Ora o que se passou aqui? Uma péssima progressão! Este tipo de estímulos aplicados de forma contínua podem conduzir a quê? Pois é.

Mas vamos ainda a um exemplo mais simples. Imaginem que decidem mudar o plano de treino e que em vez das 15 repetições que estavam a fazer, aumentam a carga de tal forma que só conseguem fazer 8 em todos os exercícios. Naturalmente no dia seguinte a fadiga muscular é enorme ao ponto de terem dificuldade em movimentarem-se. Este tipo de sintomas não são positivos mesmo que haja a crença de que isso é que é positivo para atingir resultados. Lembram-se do que escrevi no primeiro ponto da primeira parte deste artigo relativamente aos alertas que o nosso corpo nos dá? 

A carga é apenas uma das variáveis a progredir. Existem muitos outros que devem ser manipulados de forma cuidadosa e estratégica tendo em conta as particularidades e a investigação que fazemos de cada pessoa.

Não digo, com isto, que a fadiga muscular seja algo negativo, mas é como tudo, numa dose exagerada e ao prolongar-se durante muito tempo…

Ultrapassar os nossos limites fisiológicos de forma sistemática pode enfraquecer o corpo não só a nível articular como pode trazer outras consequências sérias para a nossa saúde.

A progressão deve ser planeada de forma estratégica e a um ritmo lento. Ou seja, à velocidade das estruturas que levam mais tempo a adaptar-se como os tendões, ligamentos, cartilagem articular e cápsula articular.

 

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Boa leitura e até ao próximo artigo.

 

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As principais razões pelas quais nos lesionamos: Parte 1

Nos artigos anteriores já escrevi um pouco sobre algumas das causas pelas quais nos lesionamos. Neste artigo vou aprofundar mais este tema. Refiro-me concretamente a lesões em que não existe contacto. Para as que envolve contacto, não há grande prevenção a fazer nem mesmo andar vestido com uma armadura como no caso do futebol americano (eu sei que é um exemplo extremo).

Embora não hajam dados concretos referentes à quantidade de lesões que os praticantes de exercício físico regular em Portugal (e são apenas cerca de 8%) sofrem, sabemos algumas das causas que contribuem para tal.

 

1. Não ouvir o que o nosso corpo nos diz

Esta é sem dúvida uma das razões pelas quais muitas pessoas se lesionam. No meu primeiro artigo podem ler um exemplo de quando não escutamos os sinais de alerta que o nosso corpo nos dá e o quanto isso pode ser prejudicial para a saúde das nossas articulações.

Infelizmente existe na nossa sociedade a crença que se dói é para aguentar! Ora essa crença pode custar caro e muitas vezes acontece como diz a famosa expressão “o teu corpo pode não pagar agora, mas paga mais tarde”.

Quando toca ao nosso corpo temos e devemos estar atentos, e quando estamos desconfiados, talvez a atitude prudente seja a de consultar quem nos pode ajudar. É nesse sentido que as crenças só fazem sentido se houver comprovação científica das mesmas. Se não, tornam-se mitos. Acontece que a dor é um sinal de alerta do nosso corpo e até hoje ninguém conseguiu provar na generalidade que exercitar com dor é normal ou positivo para o nosso corpo.

Ora o problema pode até ser de alguma forma cultural. Mas com a informação de que dispomos hoje em dia não seria fácil contornar este problema? Aparentemente não! É que para além das crenças infundadas temos péssima informação sem qualquer suporte científico a circular na internet e a alcançar milhares de pessoas.

 

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2. Má preparação para a prática de exercício físico

Refiro-me ao vulgarmente designado por aquecimento. Posso dar-vos um exemplo muito real. Quantos de nós, que frequentamos ginásios, vemos pessoas a fazerem aquecimento nas passadeiras, elípticas e remos e depois vão fazer treino em máquinas ou levantar pesos? Acontece que o esforço realizado desta forma não se transfere para um trabalho com cargas mais elevadas. E nesse sentido devemos ser fiéis a um dos princípios de treino que é o da ESPECIFICIDADE. Se vamos treinar com pesos ou máquinas realizemos o aquecimento com os mesmos de forma progressiva para nos preparar para o que vamos fazer na parte principal do treino.

Ok, então se eu vou fazer um supino plano com barra carregada com 100Kg devo aquecer com esse peso? Não foi isso que eu escrevi pois não?! 🙂  O sensato será aquecer com cargas progressivas.

 

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3. Alongar frequentemente os músculos

Este é um dos temas mais controversos. E provavelmente haverá alguém que irá ficar zangado comigo. No entanto, trata-se de um tema em que estou completamente à vontade para debater, pois para além de ser algo que estudo há alguns anos, na minha tese de Mestrado realizei uma revisão da literatura científica sobre os alongamentos.

Fica aqui a promessa (mais uma vez) que dedicarei um artigo só aos alongamentos.

Ok! Alongamentos! Porque comprometem a estabilidade articular?

Em primeiro lugar, os músculos não alongam, não são elásticos. SACRILÉGIO!! Calma. Antes de se indignarem leiam. Eu sei o que estão a pensar. Há um mundo inteiro a dizer que alongar os músculos cura todos os males que existem no corpo (e possivelmente na humanidade 🙂 ).

Acontece que tentar esticar os músculos para além do seu comprimento máximo coloca as articulações sobre um stress enorme. E quando o corpo detecta algum stress imposto por uma força exterior (que pode ser por exemplo alguém a tentar esticar-nos os músculos da parte de trás da coxa quando estamos deitados), entra em modo alerta. Como? Tenta proteger-se. Ao detectar instabilidade articular, o sistema nervoso gera tensão muscular (aquela que nos causa muito desconforto) numa tentativa de exercer algum controlo sobre a articulação instável.

Ao excedermos de forma contínua e sistemática os limites das nossas articulações tornamos os músculos mais fracos, menos capazes de fazer o seu trabalho (contrair) e reduzimos a sua capacidade de tolerar cargas. E as consequências disto são…? É isso mesmo!

 

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4. Fazer demasiado “cardio”

Mas cardio não é bom?! Não é uma questão de ser bom ou mau. Qual é o objectivo? Para a estabilidade articular talvez não seja a melhor solução.

O cardio prolongado leva à perda de massa muscular. E se se perde massa muscular também se perde capacidade dos músculos contraírem adequadamente e assim produzirem a força necessária para fazer face às cargas com as quais tem que lidar. Pode inclusivamente ser algo tão simples como controlar o movimento da articulação ou articulações que cruzam.

 

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Partilhem, comentem e estejam atentos à segunda parte.

 

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O que são as Técnicas de Activação Muscular e o que podem fazer por si

No artigo anterior escrevi sobre a importância da contracção muscular para a prevenção, e de alguma forma também, para a recuperação de lesões articulares.

Neste artigo, irei abordar o que são as Técnicas de Activação Muscular ou MAT (Muscle Activation Techniques) e de como vos podem ajudar quer na prevenção como na recuperação de lesões articulares.

De forma simples poderia descrever o MAT como um processo cujo objectivo é o de melhorar a contracção muscular.

 

Mas não teremos nós a capacidade para contrair os nossos músculos sempre que nos apetece?

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A resposta não é assim tão simples. E para explicar melhor que causas poderão contribuir para a debilidade muscular escreverei um artigo dedicado a esse tema.

Mas posso adiantar que com a sobrecarga, fadiga ou instabilidade articular o nosso corpo gera mecanismos de protecção das nossas articulações para nos proteger das lesões.

 

O nosso corpo tem a capacidade de detectar instabilidade articular através de receptores espalhados pelos músculos, pele e nas próprias articulações.

 

Ao comprometer qualquer uma destas estruturas, como por exemplo ao levantar um objecto cujo peso excede a força que os nossos músculos conseguem produzir, comprometemos também a capacidade dos nossos receptores informarem o sistema nervoso do estado das nossas articulações, gerando-se assim instabilidade.

Desta forma, o nosso sistema nervoso gera tensão muscular como um mecanismo protetor na tentativa de conferir estabilidade a uma articulação instável. Qual parte chata disto? A tensão muscular incomoda e não é pouco.

Para além do desconforto provocado, a tensão muscular provoca limitação de movimentos. Neste sentido, quando é restaurada a estabilidade articular, o sistema neuromuscular deixa de produzir esta resposta protectora.

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Ora reparem no seguinte exemplo:

Já alguma vez sentiram aquela tensão terrível nos músculos por cima dos ombros, passando pelo pescoço até à parte de trás da cabeça?

Pois bem, apesar do incómodo causado, trata-se de um mecanismo protector desencadeado pelo próprio corpo. E não, não pensem se quer em tentar esticar ou colocar lá os dedos ou cotovelos para ver se aquilo passa. Contrariar o corpo só provocará uma resposta mais acentuada do mesmo. Terei oportunidade de falar um pouco sobre isto noutro artigo.

Portanto, essa tensão é um mecanismo protector gerado para tentar conferir estabilidade às articulações que o sistema nervoso sente que estão instáveis. Neste caso, são o ombro e a cervical.

Ok, então como se resolve este problema?

Procurando a causa da instabilidade! Mas como? É aí que as Técnicas de Activação Muscular encaixam que nem uma luva.

O primeiro passo do processo de Activação Muscular é avaliar cada articulação para ver como está a funcionar.

Caso haja alguma limitação no movimento dessa articulação, seguidamente testa-se todos os músculos responsáveis por realizarem esse movimento.

No que nos estamos a focar então? Nos músculos fracos! Nos que não têm capacidade de contrair e comunicar adequadamente com o nosso sistema nervoso central.

Depois de se encontrarem os músculos fracos nos testes manuais para avaliar a sua força e resposta, realiza-se uma palpação manual para devolver essa capacidade de produzir força ao músculo.

E agora? Como sabemos se o músculo já está forte? Volta-se a repetir o teste para ter a certeza que o músculo já consegue tolerar cargas.

Depois de repetir estes passos para todos os músculos fracos, volta-se a avaliar o movimento da articulação para verificar se já tem toda a sua mobilidade ou se ainda se encontra com restrição de movimento.

 

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Resumo do processo de Activação Muscular

1º Passo: Avaliar o movimento em cada articulação comparando entre lado direito e esquerdo

2º Passo: Caso haja limitação no movimento numa articulação, testar a força e a resposta de todos os músculos que realizam esse movimento

3º Passo: Palpação manual dos músculos fracos de modo a criar o efeito de Activação Muscular

4º Passo: Voltar a realizar um teste de força e resposta muscular para avaliar se o músculo já consegue contrair e tolerar cargas

5º Passo: Avaliar novamente o movimento articular para verificar se já não está restrito

Pode-se comparar este método a uma ida ao mecânico onde se procede a uma análise de cada peça do sistema para encontrar a causa do problema. Da mesma forma que um desalinhamento na direcção de um automóvel é notório no desgaste assimétrico dos pneus, também o desgaste articular pode ocorrer devido a desequilíbrios musculares.

Depois de todo este processo, o objectivo é corrigir a causa da disfunção de forma a permitir ao nosso corpo um reequilíbrio mais fácil permitindo assim uma recuperação mais rápida.

E mais! Com a capacidade restaurada dos nossos músculos poderem contrair, pode-se assim eliminar os movimentos parasitas e fonte de dor articular. Os movimentos parasitas são aqueles que nós temos que fazer quando não conseguimos contrair adequadamente os músculos para evitar certas posições difíceis.

 

Resumo do que é o MAT:

  • É um método revolucionário na avaliação e correcção de desequilíbrios musculares, estabilidade articular e limitações de movimentos no corpo humano
  • Método não invasivo concebido para a prevenção, reabilitação de lesões e aumento da performance desportiva para pessoas de todas as idades
  • Um sistema único que ajuda os músculos a contrair eficientemente
  • O foco da intervenção é na causa e não o sintoma

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Em que patologias poderão as Técnicas de Activação Muscular ser úteis:

  • Tensão Muscular
  • Lombalgias
  • Cervicalgias
  • Bursites
  • Conflito fémuro-patelar
  • Síndrome da banda ílio-tibial
  • Tendinite do supra-espinhoso
  • Fasciite Plantar
  • Neuroma de Morton

Na minha prática utilizo as Técnicas de Activação Muscular como a fundação de todo o meu processo de trabalho.

Se não se devolver aos músculos a capacidade de contraírem quando solicitados, então estaremos perante músculos que têm uma tolerância muito baixa para suportarem cargas (não só externas, mas inclusive as do próprio corpo), e desta forma não se poderá progredir para as fases seguintes quer durante a reabilitação de lesões quer quando se pretende a melhoria do desempenho desportivo.

Mais sobre as Técnicas de Activação Muscular e o meu processo de trabalho no link seguinte: http://neural-touch.com/index.php/servicos#reabilitacao

 

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