Análise Biomecânica do Leg Press: parte 1

Em primeiro lugar é importante clarificar que as máquinas de Leg Press de diferentes fabricantes têm mecânicas diferentes e como tal isso pode influenciar as variáveis em análise.

Outro aspecto importante a reter é o facto de se poder variar a posição dos pés na plataforma quer na vertical quer na horizontal o que cria uma alteração das variáveis em análise. Estas alterações criam um novo cenário que por sua vez se configura num novo exercício e como tal requer uma análise própria.

O caso analisado aqui é o de um Leg Press com os pés colocados a meio da plataforma e à largura das coxo-femorais.

 

Posição 1

Em 1 é possível verificar que a linha de força (F) passa abaixo do tornozelo, abaixo do joelho e acima da anca. Neste cenário verifica-se que, existe um pequeno braço de momento (BM) ao tornozelo (não está representado na imagem), um o braço de momento (BM) ao joelho ligeiramente maior que o da coxo-femoral. Isto significa haverá um ênfase ligeiramente superior nos músculos que estendem o joelho que os que estendem a anca. Isto deve-se ao facto do torque no joelho ser superior ao da anca.

Picture8.png

Movimento que ocorre na articulação Tibio-Társica (Tornozelo): Flexão Plantar por oposição à Flexão Dorsal provocada pela Resistência Externa.

Músculos Opositores à Resistência Externa na articulação Tibio-Társica: 

  • Gémeos (Medial e Lateral)
  • Solear (Divisão Medial e Lateral)
  • Plantaris
  • Tibial Posterior (Divisão Tibial e Peroneal)
  • Peroneal Longo (Divisão Cuneiforme e Metatársica)
  • Peroneal Curto
  • Flexor Longo dos dedos
  • Flexor Longo do Hallux

 

Movimento que ocorre na articulação Tibio-Femoral (Joelho): Extensão do Joelho por oposição à Flexão provocada pela Resistência Externa.

Músculos Opositores à Resistência Externa na articulação do Tibio-Femoral: 

  • Recto Femoral
  • Vasto Medial
  • Vasto Lateral
  • Vasto Intermédio
  • Costureiro
  • Tensor da Fascia Lata
  • Articularis Genu

 

Movimento que ocorre na articulação Coxo-Femoral (Anca): Extensão da Coxo-femoral por oposição à Flexão provocada pela Resistência Externa.

Músculos Opositores à Resistência Externa na articulação Coxo-Femoral: 

  • Grande Glúteo
  • Médio Glúteo
  • Pequeno Glúteo (Fibras Posteriores)
  • Semitendinoso
  • Semimembranoso
  • Bicípite Femoral (cabeça longa)
  • Grande Adutor (fibras verticais e oblíquas)
  • Potencialmente o Piramidal
  • Potencialmente o Gémeo Superior e Inferior
  • Potencialmente o Quadrado Femoral

 

Posição 2

Nesta posição, podemos verificar que ao nível do tornozelo o braço de momento não varia, mantendo-se bastante pequeno. No entanto, havendo braço de momento a esta articulação, existe torque suficiente para que os músculos opositores à flexão dorsal do tornozelo se mantenha em contracção. Relativamente ao joelho, o braço de momento passa agora em cima do eixo fazendo com  que os músculos que estendiam o joelho no primeiro cenário não sejam solicitados a não ser por contracção voluntária. Relativamente à anca, verifica-se uma redução muito grande do braço de momento. No entanto, a principal resistência interna à força de flexão imposta pela resistência externa vem dos músculos da anca que se opõem a esta força.

Picture9.png

Movimento que ocorre na articulação Tibio-Társica (Tornozelo): Flexão Plantar por oposição à Flexão Dorsal provocada pela Resistência Externa.

Músculos Opositores à Resistência Externa na articulação Tibio-Társica: 

  • Gémeos (Medial e Lateral)
  • Solear (Divisão Medial e Lateral)
  • Plantaris
  • Tibial Posterior (Divisão Tibial e Peroneal)
  • Peroneal Longo (Divisão Cuneiforme e Metatársica)
  • Peroneal Curto
  • Flexor Longo dos dedos
  • Flexor Longo do Hallux

 

Movimento que ocorre na articulação Tibio-Femoral (Joelho): Extensão do Joelho provocado pela resistência externa sem oposição muscular

Músculos Opositores à Resistência Externa na articulação Tibio-Femoral: 

  • Nenhum

 

Movimento que ocorre na articulação Coxo-Femoral (Anca): Extensão da Coxo-femoral por oposição à Flexão provocada pela Resistência Externa.

Músculos Opositores à Resistência Externa na articulação Coxo-Femoral: 

  • Grande Glúteo
  • Médio Glúteo (Fibras Posteriores)
  • Pequeno Glúteo (Fibras Posteriores)
  • Semitendinoso
  • Semimembranoso
  • Bicípite Femoral (cabeça longa)
  • Potencialmente o Grande Adutor (fibras verticais e oblíquas)
  • Potencialmente o Piramidal
  • Potencialmente o Gémeo Superior e Inferior
  • Potencialmente o Quadrado Femoral

 

Perfil da Resistência Externa: Não varia. Constante de 1 para 2
Perfil da Força Muscular: Aumenta de 1 para 2

Picture7.png

Boas leituras e até ao próximo artigo!

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6 thoughts on “Análise Biomecânica do Leg Press: parte 1

  1. A posição das pernas na segunda imagem é incorrecta. As pernas nunca devem ficar totalmente esticadas como indica a imagem mas sim semi flectidas, isto para evitar possíveis lesões

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    1. Olá. Sabia que mais tarde ou mais cedo alguém iria ter esse comentário. Quer explicar porquê? Porque dizer que não se pode fazer simplesmente porque se acredita que pode evitar lesões não conta. Como sabe somos diferentes na nossa anatomia e regras generalizadas não se aplicam a toda gente como a de os joelhos não passarem em frente aos pés no agachamento. Acha mesmo que eu depois de uma análise biomecânica detalhada e sendo a biomecânica, anatomia e fisiologia uma matéria de estudo a que me dedico, não saberia se os joelhos se podem esticar ou não neste caso em particular? Ou se causaria dano ou não para as articulações deste corpo (que por acaso é o meu)? Não dependeria essa restrição da pessoa que o iria realizar em vez de uma regra generalizada? Do estado das articulações dessa pessoa? Por acaso sabe que naquele cenário específico com aquelas forças, o joelho se encontra na posição mais forte? Obrigado.

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      1. http://www.bodybuilding.com/fun/knee_injury_prevention.htm

        Poderia colocar mais links incluindo um do youtube onde se vê claramente a razão para não esticar totalmente Leg press serve para desenvolver musculo na perna e se aa pernas estiverem como mostra a imagem a força estará a incidir em pleno sobre o joelho enquanto se estiver as pernas estiverem flectidas a força incide sobre os musculos das pernas.

        Pode dizer o contrário mas uma coisa é fazer leg press com 30 ou 40 kg outra coisa é fazer com 200 ou 400 kg.

        Comentei a imagem porque apesar de nao ser da área de desporto, familiares meus trabalham em ginásios e um trabalha diretamente com atletas profissionais.

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      2. Os exemplos que aparecem no artigo não têm justificação biomecânica. Isto não diz nada “Locking your knee joint transfers all of the weight from the muscle to the joint. The result is un-needed stress on the knee that can lead to injury”. “The only exception to this rule is with seated leg extensions and stiff-legged deadlifts”, ainda por cima dão maus exemplos. Por acaso na leg extension até pode ser mais problemático esticar o joelho do na leg press! Mas é como tudo, depende da anatomia articular de cada pessoa. Eles não apresentam nenhuma explicação. Só dizem que causa stress mas não dizem como. Por essa ordem de ideias quando cada músculos contrai temos stress exagerado em qualquer articulação. Não apresentam sequer o perfil da resistência nem da força. Nem sequer o corpo que o realizar. Já vi montes de artigos que apresentam regras generalizadas, mas não apresentam justificações que lhes dêem suporte. Sim também já vi alguns desses vídeos. Claramente houve, na maioria, negligência. A pessoa em questão não foi devidamente avaliada na mecânica das suas articulações bem como outros aspectos como a comunicação dos músculos com o SN, etc. Para além do mais, viu alguma frase no artigo a sugerir que TODAS as pessoas devem esticar os joelhos neste exercício? Em nenhum artigo meu verá recomendações generalizadas. Tudo tem que ser colocado no contexto próprio. Nesse sentido, sem me dar uma explicação biomecânica sua ou de outro profissional da área (que perceba de facto de física), então não há argumento e não passa de uma crença. Crença essa que é o que dá má fama a esta profissão, pois não sabemos as forças que interagem com o corpo, não sabemos manipulá-las para o bem da saúde articular dos nossos clientes. Não podemos generalizar. Tenho uma cliente, que dada a patologia osteoarticular e as características das articulação do joelho, não estendo o joelho dela neste exercício e mesmo assim depende de onde lhe coloco os pés, pois muda tudo. Não tem absolutamente nada que ver com o peso na máquina. Nada! Lá está mais um regra generalizada. Tem a ver com muitos mais factores quer da máquina em si, quer da própria anatomia articular da pessoa, capacidade de produzir output aos músculos, etc. Mas como deve imaginar não tenho tempo para estar aqui a debitar física. Todas as pessoas são diferentes. O problema é que a maioria dos PT’s, profissionais de reabilitação e treinadores desportivos não têm conhecimento mínimo de anatomia, ou se têm não o sabem integrar com a biomecânica. E o que é que nós fazemos como profissionais todos os dias?? Aplicar força aos nossos clientes. Então não acha que se devia estudar mais física aplicada ao corpo humano? Conheço muita gente que trabalha com atletas que não percebem minimamente de biomecânica. Se queremos argumentar temos que ser objectivos e não apresentar crenças como argumento. Mas olhe adianto-lhe o seguinte, se rever (pode até pedir aos seus familiares que trabalham nesta área, pois estou certo que saberão do que me refiro) estes aspectos encontrará a resposta: determine o braço de momento em 1 e 2; calcule o torque da resistência interna e externa na posição 1 e 2 e compare-os; reveja o tipo de força a acontecer dentro da articulação em 1 e 2 (não precisa calcular), pois são diferentes; reveja o perfil da resistência vs o perfil da força de 1 para 2; e por último, reveja os aspectos de força estrutural vs força fisiológica e como estes se alteram de 1 para 2. Obrigado

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